terça-feira, 30 de outubro de 2012

Arte



A arte 
Por Ferreira Gullar
Intrínseco ao homem, o processo de criação artística funciona como expressão de sua individualidade e relação com o todo. Isso desde priscas épocas, quando desenhos mágicos traçados em cavernas, como Lascaux na França, tomavam a forma de portais para a representação da vida. Sempre o indivíduo e a sociedade, o micro e o macro, o real e o místico, a angústia e a excitação. A arte não tem um papel concreto, mas em toda a sua abstração decifra, representa e legitima os mais diversos sentimentos humanos. Como costumava dizer Jean Cocteau, “A poesia é indispensável. Se eu ao menos soubesse para quê…”. Nesta frase concentra-se um paradoxo intuído e sugerido por aqueles que buscam consolidar o valor artístico ao longo da evolução humana, vital para uma discussão mais aprofundada sobre o tema.
A partir dessa edição, iniciamos uma série de artigos, inspirada no texto "A beleza do humano", de Ferreira Gullar, sobre a função da arte. Para potencializar a reflexão, adotamos uma linha interdisciplinar que vai apresentar a arte, sob o ponto de vista da filosofia, da psicologia, da poética, da economia e da antropologia, entre outros. Acompanhe!
"A beleza do humano, nada mais", por Ferreira Gullar*
Confesso que, espontaneamente, nunca me coloquei esta questão: para que serve a arte? Desde menino, quando vi as primeiras estampas coloridas no colégio (que estavam muito longe de serem obras de arte) deixei-me encantar por elas a ponto de querer copiá-las ou fazer alguma coisa parecida. Não foi diferente minha reação quando li o primeiro conto, o primeiro poema e vi a primeira peça teatral. Não se tratava de nenhum Shakespeare, de nenhum Sófocles, mas fiquei encantado com aquilo.
Posso deduzir daí que a arte me pareceu tacitamente necessária. Por que iria eu indagar para que serviria ela, se desde o primeiro momento me tocou, me deu prazer? Mas se, pelo contrário, ao ver um quadro ou ao ler um poema, eles me deixassem indiferente, seria natural que perguntasse para que serviam, por que razão os haviam feito. Então, se o que estou dizendo tem lógica, devo admitir que quem faz esse tipo de pergunta o faz por não ser tocado pela obra de arte. E, se é este o caso, cabe perguntar se a razão dessa incomunicabilidade se deve à pessoa ou à obra. Por exemplo, se você entra numa sala de exposições e o que vê são alguns fragmentos de carvão colocados no chão formando círculos ou um pedaço de papelão de dois metros de altura amarrotado tendo ao lado uma garrafa vazia, pode você manter-se indiferente àquilo e se perguntar o que levou alguém a fazê-lo. E talvez conclua que aquilo não é arte ou, se é arte, não tem razão de ser, ao menos para você. Na verdade, a arte – em si – não serve para nada.
Claro, a arte dos vitrais servia para acentuar atmosfera mística das igrejas e os afrescos as decoravam como também aos palácios. Mas não residia nesta função a razão fundamental dessas obras e, sim, na sua capacidade de deslumbrar e comover as pessoas. Portanto, se me perguntam para que serve a arte, respondo: para tornar o mundo mais belo, mais comovente e mais humano.


*Ferreira Gullar é cronista, ensaísta, teatrólogo, crítico de arte e um dos maiores poetas brasileiros. O maranhense é autor de livros como  Dentro da Noite Veloz, e de ensaios como Vanguarda e Subdesenvolvimento e Argumentação Contra a Morte da Arte.


Mark Arian

  Mark Arian 1947 | Romantic Realist painter
The exceptional work of master painter Arian is the product of natural artistic talent and heartfelt passion tempered by more than 30 years of study, observation and realization. His strongest artistic influences are the Dutch Masters -Johannes Vermeer 1632-1675, Peter Paul Rubens 1577-1640, and Rembrandt Van Reijn 1606-1669, the French artist and master draftsman William-Adolphe Bouguereau 1825-1905 and american John Singer Sargeant. Arian's expansive use of subtle color variations, creative use of light and shadow and exquisite figurative rendering reflect these influences and infuse his paintings with breathtaking life, realism and beauty.
In addition to the prolific collection of paintings he has created throughout his career, Arian created the exquisite murals in the Palace of Gold, the largest tourist attraction in West Virginia, which have since been the subject of numerous articles in such notable publications as Time and The Washington Post. Additionally, he was commissioned by the State of West Virginia to paint two historic 20-foot murals for the Wheeling Civic Center, now viewed by millions of visitors. 

                             



      
                                                                             

                                                                                      

 



                
One of my favorite! I love Mark Arian!
                               

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